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Amélio Cayres não é ordenador de despesas no caso das emendas, portanto, o mandado de busca não faz sentido. Ele pode fazer desse limão uma limonada

Os sinais de intervenção política são grandes e já existiam muito antes dessa operação de hoje. Aliados do governador, desde o rompimento político com o vice-governador Laurez Moreira, já falavam dessa tentativa de afastamento orquestrada pelo próprio vice.

03/09/2025 às 15h07
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Amélio Cayres não é ordenador de despesas no caso das emendas, portanto, o mandado de busca não faz sentido. Ele pode fazer desse limão uma limonada

O estado do Tocantins acordou nesta quarta-feira, 3, com uma bomba no cenário político: o afastamento do governador Wanderlei Barbosa. O afastamento foi uma medida exagerada, mas que deve ser respeitada. Os sinais de intervenção política são grandes e já existiam muito antes dessa operação de hoje. Aliados do governador, desde o rompimento político com o vice-governador Laurez Moreira, já falavam dessa tentativa de afastamento orquestrada pelo próprio vice. O que aumentou com a filiação de Laurez no PSD de Irajá Abreu, autor da maioria das ações contra o governador. 

Mas como isso pode ajudar Amélio em sua pré-candidatura ao governo? O sentimento de perseguição ao governador, que é bem avaliado, passa dos 80% de aprovação, pode ser alimentado e esse sentimento ser revertido em votos para o seu escolhido, no caso, o presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, Amélio Cayres. Amélio, que também teve mandado de busca e apreensão em seu gabinete — medida sem cabimento, uma vez que o deputado não é ordenador de despesas, portanto, incluí-lo nessa operação não faz sentido — pode usar isso a seu favor como? 

Esse plano de afastamento já vinha sendo orquestrado pelos adversários, como já dito por aliados do governo, o que o torna uma operação mais política que jurídica, e quem tinha me interesse em tomar o comando do palácio? Sim! Laurez Moreira e quem tinha interesse em tirar Wanderlei do comando? Sim! Irajá Abreu, que agora os dois são do mesmo partido. Existe aqui a culpabilização de Amélio sem haver crimes, repito, deputado não é ordenador de despesas. 

Tanto Wanderlei como Amélio podem ser colocados como vítimas nesse processo. A ânsia pelo poder pode ter levado a essa possibilidade da volta da instabilidade política, jurídica e econômica do estado. Essa mesma ânsia pelo poder vitimiza os dois chefes de poderes. A pergunta que se pode fazer é: até onde pode ir o desejo do poder pelo poder? Quanto custará para o estado, tanto na esfera política quanto na econômica do estado? Esse golpe — na visão dos aliados do governo — terá o poder de trazer de volta a recessão que por muita luta foi retirada da economia tocantinense? 

Essas questões fortalecem o grupo governista em sua caminhada para as eleições de 2026. A culpabilização da vítima pode ser um dos melhores motes nessa guerra de narrativas. Basta apenas o palácio saber fazer desse limão uma limonada.

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